Saiba quais são os tipos, como é feito o diagnóstico e o tratamento, e como prevenir o câncer de fígado
O câncer no fígado é um dos tipos mais frequentes de câncer do aparelho digestivo. Segundo o Instituto Nacional do Câncer, a estimativa de casos novos no Brasil, entre 2023 e 2025, foi de 10.700 casos por ano. Trata-se de uma condição grave que precisa de diagnóstico precoce e acompanhamento especializado
Apesar de muitas pessoas associarem o fígado apenas ao processo digestivo, esse órgão é considerado vital, pois desempenha outras funções essenciais para o organismo, como filtrar toxinas, produzir proteínas importantes e participar ativamente do metabolismo de nutrientes.
Nos últimos anos, os avanços da Medicina permitiram que o tratamento do câncer no fígado se tornasse cada vez mais preciso e menos invasivo, o que reforça a importância de conhecer seus sintomas e fatores de risco para garantir uma boa evolução.
O que é o câncer de fígado?
O câncer no fígado ocorre quando as células que formam o órgão passam a se multiplicar de maneira descontrolada, formando tumores que podem comprometer as suas funções. Essa condição pode surgir diretamente no fígado ou ser consequência da disseminação de tumores originados em outras partes do corpo.
Em estágios iniciais, o câncer no fígado costuma, quase sempre, ser silencioso, o que reforça a importância de um acompanhamento médico regular da saúde do órgão, principalmente em pessoas que apresentam fatores de risco conhecidos.
Tipos de câncer de fígado
O câncer no fígado pode ser classificado em dois grandes grupos, de acordo com sua origem.
Primários
Os tumores são chamados de primários quando surgem diretamente nas células do fígado. O tipo mais comum, que ocorre em mais de 80% dos casos, é o carcinoma hepatocelular, ou hepatocarcinoma, frequentemente associado a doenças hepáticas crônicas, como cirrose e hepatites virais.
Outro tipo de câncer no fígado primário é o colangiocarcinoma intra-hepático, que afeta os ductos biliares que estão dentro do fígado. Esse tipo, no entanto, é menos frequente.
Secundários
Os tumores secundários ocorrem quando células cancerígenas de outros órgãos se espalham para o fígado, formando metástases. Câncer colorretal, de mama e de pulmão são alguns dos exemplos que podem gerar tumores hepáticos secundários.
Como são originados fora do fígado, esses casos exigem avaliação e tratamento cuidadosos e que levem em conta as particularidades de cada paciente.
Quais são os primeiros sinais de câncer no fígado?
Quando em estágios iniciais, o câncer no fígado pode não apresentar sintomas claros. Muitas pessoas só percebem alterações quando a doença já está em uma fase mais avançada. Entre os principais sinais possíveis, destacam-se:
- Dor ou desconforto no lado direito do abdômen;
- Sensação de peso abdominal;
- Fadiga constante;
- Perda de apetite.
À medida que a doença progride, outros sintomas podem surgir, sendo o mais característico a icterícia (pele e olhos amarelados). Náuseas, urina de cor acastanhada, fezes esbranquiçadas, coceira pelo corpo e aumento de volume abdominal também podem ocorrer.
Como esses sintomas são comuns a outros problemas hepáticos, qualquer alteração persistente deve ser investigada para descartar ou confirmar a presença de câncer no fígado.
Causas e fatores de risco do câncer no fígado
Diversos fatores podem estar relacionados ao aumento de probabilidade de desenvolvimento do câncer no fígado. Entre eles, destacam-se doenças hepáticas crônicas e hábitos de vida que comprometem a saúde do órgão ao longo do tempo, tais como:
- Hepatite B ou C crônicas;
- Cirrose hepática;
- Consumo excessivo de álcool;
- Obesidade ou outras síndromes metabólicas;
- Diabetes;
- Exposição a toxinas e aflatoxinas.
Além disso, histórico familiar e determinadas condições genéticas também podem influenciar no aumento das chances. O sexo biológico e a idade também são fatores de risco importantes, uma vez que o câncer no fígado é mais comum em homens do que em mulheres, e ocorre com mais frequência a partir dos 60 anos.
Como o câncer no fígado é uma doença inicialmente silenciosa, é fundamental que a pessoa realize exames periódicos de rastreamento caso tenha um ou mais desses fatores de risco.
Como o diagnóstico é realizado?
O diagnóstico do câncer no fígado envolve avaliação clínica detalhada e exames complementares. O médico analisa sintomas, histórico de saúde e possíveis fatores de risco antes de solicitar exames específicos.
Entre esses exames está a colangiorressonância, realizada para entender a anatomia das vias biliares, possibilitando a identificação de pontos de obstrução que podem surgir a partir de tumores. Endoscopia percutânea, tomografia computadorizada e ultrassonografia endoscópica são outros exames de imagem que podem ser realizados.
Além disso, testes laboratoriais podem detectar, no sangue, substâncias chamadas de marcadores tumorais. Sua identificação ajuda não somente na detecção do câncer no fígado, mas também seu estadiamento e monitoramento ao longo do tratamento.
Em alguns casos, pode ser necessária uma biópsia para confirmar o diagnóstico e identificar o tipo de câncer no fígado. Geralmente, ela é feita de forma percutânea, com o auxílio de uma agulha, durante a realização de exames de imagem.
Como é o tratamento do câncer no fígado?
A definição do tratamento do câncer no fígado depende do estágio da doença, do tamanho do tumor, do estado geral de saúde do paciente e da função hepática preservada. Ou seja, cada caso deve ser avaliado individualmente.
Nos casos em que é possível remover o tumor, o tratamento ideal é a cirurgia. Nela, são removidas as áreas afetadas e tecidos subjacentes. Em algumas situações, pode ser necessária a retirada de uma parte completa do fígado (hepatectomia parcial) ou o transplante de todo o órgão.
Outros tratamentos podem incluir terapias sistêmicas, ablação por radiofrequência e quimioembolização de lesões, que podem ser realizadas em conjunto com a cirurgia.
Além disso, dependendo do caso e da gravidade do câncer no fígado, é possível combinar essas abordagens com tratamento quimioterápico, que, por sua vez, pode ou não ser realizado em conjunto com a radioterapia. A quimioterapia também é recomendada nos casos graves em que outros tratamentos não tiveram resultados satisfatórios e a abordagem é paliativa.
Qual médico realiza a cirurgia de câncer no fígado?
A cirurgia para tratamento do câncer no fígado deve ser realizada por cirurgião especializado em procedimentos do aparelho digestivo. Esses profissionais possuem formação específica para lidar com problemas complexos por meio de abordagens avançadas.
O procedimento pode ser realizado por via aberta convencional, mas as técnicas minimamente invasivas (videolaparoscopia e cirurgia robótica) são muito mais comuns nos dias de hoje, por serem mais precisas e seguras. Nelas, são realizadas pequenas incisões por onde passam os instrumentos cirúrgicos e uma microcâmera que guia o cirurgião.
Além do cirurgião geral, o trabalho deve envolver uma equipe multidisciplinar composta por oncologistas clínicos, radiologistas, anestesistas e equipe de enfermagem especializada. Assim, é possível garantir uma ainda maior segurança durante o tratamento do câncer no fígado.
Quando o transplante de fígado é indicado?
O transplante hepático costuma ser indicado em casos selecionados de câncer no fígado, principalmente quando o tumor está associado à cirrose e não há possibilidade de remoção cirúrgica convencional com segurança.
Essa abordagem pode oferecer chance de cura em pacientes que atendem a critérios específicos, como a ausência de metástases fora do fígado. Por isso, a avaliação é criteriosa, complexa e precisa ser realizada por uma equipe especializada.
Mesmo após o transplante, o acompanhamento contínuo deve ser mantido. Ele é essencial para prevenir recidivas do câncer no fígado e monitorar a saúde geral do paciente.
Como prevenir o câncer no fígado?
A prevenção do câncer no fígado está diretamente ligada ao cuidado com a saúde hepática e gástrica e ao controle dos fatores de risco. Embora nem todos os casos possam ser evitados, diversas medidas reduzem significativamente as chances de desenvolvimento da doença.
Entre as principais estratégias estão:
- Vacinação contra hepatite B;
- Tratamento adequado de hepatites virais;
- Consumo moderado ou ausência de álcool;
- Alimentação equilibrada e controle do peso;
- Monitoramento regular em pessoas com cirrose.
Além disso, consultas médicas periódicas permitem acompanhar alterações no fígado e identificar precocemente qualquer sinal suspeito. Como já mencionado, a prevenção e o diagnóstico precoce são fundamentais para reduzir complicações relacionadas ao câncer no fígado e melhorar o prognóstico dos pacientes.
O Dr. Wilson Martinuzzo é cirurgião especializado em procedimentos no aparelho digestivo, como a cirurgia que trata o câncer no fígado. Além disso, é especialista na realização de procedimentos minimamente invasivos. Para saber mais, entre em contato e agende uma consulta.
Fontes:

