Alteração caracteriza-se afastamento anormal dos músculos abdominais, levando a um risco aumentado de desenvolver hérnias abdominais
A diástase dos retos abdominais é a separação anormal entre os músculos que formam a parede anterior do abdômen. A alteração geralmente é decorrente de aumento de pressão interna ou alterações estruturais que excedem a capacidade das fibras de colágeno. Além de causar desconforto estético, a diástase pode comprometer a função do core e impactar atividades cotidianas.
Com a perda de integridade muscular, a sustentação abdominal diminui, favorecendo desequilíbrios posturais e sobrecarga na coluna lombar. Por isso, o diagnóstico adequado da diástase dos retos abdominais e a orientação especializada são essenciais para evitar a progressão do quadro e definir o tratamento mais indicado para cada paciente.
O que causa a diástase dos retos abdominais?
A diástase ocorre quando a linha alba — estrutura que conecta os músculos retos abdominais — sofre estiramento além do limite fisiológico. As causas mais comuns incluem:
- Gestação, principalmente múltipla ou com bebês de maior peso;
- Flutuações importantes de peso;
- Exercícios físicos realizados com técnica inadequada;
- Predisposição genética;
- Presença de condições que aumentam a pressão intra-abdominal de forma crônica, como tosse persistente ou constipação severa.
Outros fatores, como fraqueza do core, envelhecimento ou alterações hormonais que diminuem a elasticidade dos tecidos, também são causas da diástase dos retos e contribuem para sua formação.
Consequências e o que a diástase abdominal pode causar?
A separação entre os músculos reduz a eficiência da parede abdominal e pode gerar instabilidade do tronco. Por isso, algumas das consequências mais frequentes da diástase dos retos abdominais incluem dor lombar, protrusão abdominal, sensação de frouxidão e dificuldade em realizar atividades que exigem força do core.
Em casos mais acentuados, a diástase pode favorecer o aparecimento de hérnias, já que a sustentação tecidual fica comprometida. Além disso, o desequilíbrio muscular pode interferir na postura, na respiração e até no desempenho em exercícios. A longo prazo, a falta de correção tende a agravar os sintomas da diástase dos retos.
Quais os sintomas da diástase abdominal?
Os sinais mais comuns da diástase dos retos abdominais são:
- Dor na região lombar, pelve e quadril;
- Flacidez excessiva na barriga;
- Fraqueza abdominal;
- Dificuldade para levantar objetos ou de realizar atividades do dia a dia;
- Dor durante as relações sexuais;
- Incontinência urinária durante o esforço, como ao tossir ou espirrar;
- Prisão de ventre;
- Má postura;
- Sensação de inchaço abdominal.
Muitas pessoas também relatam desconforto após refeições, má postura e sensação de que o abdômen não “retorna ao lugar” mesmo meses após a gestação.
Em alguns casos, a diástase dos retos abdominais pode coexistir com hérnias umbilicais ou epigástricas, o que reforça a importância de uma avaliação especializada.
Como o diagnóstico é realizado?
A avaliação clínica é o primeiro passo e inclui exame físico com testes específicos para medir a distância entre os retos abdominais. Além disso, exames de imagem, como ultrassonografia da parede abdominal, complementam o diagnóstico ao avaliar com precisão o grau de separação e identificar possíveis associações, como hérnias.
A combinação entre exame físico e imagem permite definir o tratamento ideal de acordo com a gravidade.
Como tratar a diástase dos retos abdominais?
O tratamento da diástase dos retos dependem da amplitude da separação e dos sintomas apresentados. Na maioria dos casos leves a moderados, a reabilitação com fisioterapia especializada é o primeiro passo. O foco é fortalecer o core profundo, melhorar a postura e reduzir a pressão inadequada sobre a linha alba.
A correção cirúrgica é indicada em situações específicas, como separações maiores, quadros sintomáticos persistentes ou presença associada de hérnias. Nesses casos, utiliza-se abordagem minimamente invasiva, quando possível, visando restaurar a continuidade da parede abdominal.
Atualmente, a melhor abordagem cirúrgica para a correção da diástase dos retos abdominais é por meio da cirurgia robótica, realizada através de 3 a 4 incisões de 0,5 a 1 centímetro cada, com resultado estético excelente, e diminuição das complicações que podem ocorrer nas cirurgias convencionais.
A cirurgia visa aproximar e suturar os músculos retos abdominais. Dependendo da avaliação de cada caso, pode-se associar o procedimento a uma lipoaspiração e definição com laser.
Quando o tratamento cirúrgico é indicado?
A cirurgia é recomendada quando a diástase dos retos abdominais é ampla, causa limitações funcionais importantes ou não responde ao tratamento conservador. A intervenção também é indicada quando a separação está associada a hérnias abdominais, já que a correção simultânea evita recorrências e melhora o suporte estrutural da região. O procedimento busca reaproximar os retos abdominais de forma segura, utilizando técnicas que diminuam a agressão tecidual.
Como prevenir a diástase dos retos abdominais?
A prevenção envolve fortalecimento adequado do core, especialmente durante a gestação, supervisão profissional na prática de exercícios e controle de fatores que aumentam a pressão intra-abdominal. Manter postura adequada, evitar ganho excessivo de peso e tratar condições como tosse crônica ou constipação também auxiliam a reduzir o risco de diástase.
Em gestantes, exercícios orientados para estabilização abdominal e cuidados durante o pós-parto imediato são medidas importantes.
Qual profissional realiza a cirurgia para diástase abdominal?
A correção cirúrgica da diástase dos retos abdominais é realizada por cirurgião do aparelho digestivo ou cirurgião geral com experiência em procedimentos da parede abdominal, especialmente em técnicas minimamente invasivas. A escolha do especialista deve levar em conta o conhecimento anatômico e a familiaridade com correções estruturais da musculatura abdominal.
O Dr. Wilson Martinuzzo é médico especialista em cirurgia geral com mais de 30 anos de experiência e mais de 14 mil procedimentos realizados ao longo da carreira. Pioneiro na cirurgia robótica no Brasil, o Dr. Martinuzzo atua em consultório próprio em Campinas, é coordenador de Cirurgia Geral no Hospital Vera Cruz e um dos idealizadores e coordenadores do Serviço de Urgência da instituição.
Para saber mais, entre em contato e agende uma consulta com o Dr. Wilson Martinuzzo.
Fontes:

