Doença de origem genética é rara, mas está diretamente relacionada a esse tipo de câncer
A hereditariedade é um dos fatores de risco para diversos tipos de câncer, entre eles o câncer de intestino. É comum que pessoas que tiveram casos da doença na família tenham um risco aumentado de desenvolvê-la. No entanto, existe uma condição de origem genética que, se não tratada, pode evoluir para o câncer colorretal em todos os casos: a polipose adenomatosa familiar.
O que é polipose adenomatosa familiar (PAF)?
De forma geral, os pólipos consistem em massas de tecido que se projetam em relação à parede do intestino. Podem ser causados por diversos fatores e nem sempre representam um risco de câncer. No caso da polipose adenomatosa familiar (PAF), no entanto, a causa da formação dos pólipos é uma alteração genética que faz com que as células se multipliquem desordenadamente e com o risco de se tornarem câncer.
Os pólipos característicos da polipose adenomatosa familiar podem se espalhar por todo o intestino grosso e pelo reto, se desenvolvendo ao longo da vida. Estima-se que até 95% das pessoas com PAF já tenham numerosos pólipos desenvolvidos até os 35 anos de idade.
Embora potencialmente grave por causa do risco de câncer, a PAF é uma doença relativamente rara. Estimativas apontam que ela ocorre na proporção de um caso a cada 8 a 14 mil pessoas.
Qual a relação entre polipose adenomatosa familiar e câncer de intestino?
Como mencionado anteriormente, a polipose adenomatosa familiar é um dos mais perigosos fatores de risco para o câncer de intestino, uma vez que todas as pessoas sem tratamento adequado, em algum momento da vida, desenvolverão a doença.
Isso ocorre porque a formação dos pólipos, nesse caso, é desencadeada por uma alteração genética, o que faz com que não seja possível controlar e parar a formação de pólipos, ainda que haja tratamentos que possibilitem sua remoção e amenizem o risco de formação do câncer.
Sintomas e sinais de alerta da polipose adenomatosa familiar
Os sintomas da polipose adenomatosa familiar são semelhantes aos sintomas de outros tipos de pólipos intestinais. Isso quer dizer que muitos casos podem ser assintomáticos. Quando os sinais se manifestam, os principais são:
- Sangramento retal, percebido como sangue nas fezes ou no papel higiênico;
- Cólicas e desconforto abdominal;
- Obstrução intestinal;
- Alterações no funcionamento do intestino (diarreia ou constipação);
- Anemia;
- Perda de peso inexplicável.
Diagnóstico da polipose adenomatosa familiar
O diagnóstico da polipose adenomatosa familiar é feito por meio de exames como a colonoscopia, que identifica a presença dos pólipos, e testes genéticos, que identificam a causa da formação das lesões.
Tratamento da polipose adenomatosa familiar
O tratamento da polipose adenomatosa familiar consiste na adoção de abordagens que tenham a finalidade de rastrear e remover as lesões, além de estratégias para amenizar os possíveis sintomas da condição. Tudo isso é importante para evitar que os pólipos se desenvolvam e se tornem câncer de intestino.
Monitoramento e rastreamento
O primeiro passo é o monitoramento e rastreamento dos pólipos. É importante que seja feito para identificar a extensão das lesões e planejar os próximos passos do tratamento.
Cirurgia
O procedimento cirúrgico mais realizado para remover os pólipos é a polipectomia, que pode ser realizada ao mesmo tempo em que é feita a colonoscopia, com o auxílio de uma haste conectada ao tubo que realiza o exame.
Existe ainda, nos casos de polipose adenomatosa familiar, a possibilidade de realização de uma colectomia, que consiste na remoção, total ou parcial, do cólon, do reto e outras estruturas finais do intestino grosso.
Tratamentos adicionais
Pode haver, ainda, a necessidade de outros tratamentos para conter os sintomas da polipose adenomatosa familiar, como o uso de medicamentos e outras estratégias, que podem envolver a adoção de hábitos de rotina e alimentares que visem amenizar os sintomas e reduzir o risco de formação de câncer.
Gestão de riscos
A polipose adenomatosa familiar é um fator de risco muito grave para o câncer de intestino, como vimos anteriormente. Por isso, é fundamental tomar alguns cuidados que se enquadram na gestão de riscos, tais como:
Testes genéticos e consulta genética
Se o indivíduo tem casos na família de câncer de intestino, é muito importante procurar um médico especialista para identificar possíveis fatores de risco. Nesse sentido, testes genéticos e consulta genética podem ser importantes para identificar a polipose adenomatosa familiar antes mesmo de a condição representar alguma gravidade.
Assim, é possível monitorá-la e tomar atitudes mais acertadas que diminuam o risco de desenvolvimento de câncer de intestino a longo prazo.
Estilo de vida e alimentação
Manter um estilo de vida e alimentação saudáveis não cura a polipose adenomatosa familiar, mas pode auxiliar na melhora do funcionamento intestinal, o que, por sua vez, pode diminuir a intensidade da formação de pólipos.
O Dr. Wilson Martinuzzo é cirurgião especialista em tratamentos do aparelho digestivo, como os procedimentos que tratam a PAF. Entre em contato e agende uma consulta.
Fontes:
Dr. Wilson Martinuzzo
Manual MSD
Instituto Nacional do Câncer
Sociedade Brasileira de Coloproctologia

