Entenda quando a cirurgia é indicada para tratar o câncer de fígado, quais técnicas podem ser utilizadas e como é a recuperação.
Segundo dados do Globocan, estima-se que mundialmente tenham ocorrido cerca de 843 mil novos casos de câncer de fígado, sendo o sétimo tipo mais frequente. O desenvolvimento dessa neoplasia associa-se a múltiplos fatores de risco e lesões prévias, fazendo com que as abordagens terapêuticas variem significativamente entre os indivíduos.
Da mesma forma que as causas da doença são diversas, as modalidades operatórias também podem ser diferentes, exigindo que a cirurgia para câncer de fígado seja minuciosamente personalizada para garantir a remoção tumoral e a segurança do paciente.
Quando a cirurgia para câncer de fígado é indicada?
A indicação da cirurgia para câncer de fígado depende diretamente do tipo de tumor (seja ele primário, como o hepatocarcinoma, ou secundário), do número e da localização exata das lesões, da possibilidade de remoção completa do tecido doente e da reserva funcional do órgão. O órgão possui grande capacidade regenerativa, mas essa regeneração depende de um parênquima saudável e de um suprimento sanguíneo preservado.
Entretanto, é necessário destacar que nem todo paciente é candidato à cirurgia. Em casos onde há presença expressiva de metástase no fígado, comprometimento vascular difuso ou estado de saúde geral debilitado, o procedimento ressectivo pode ser contraindicado, abrindo espaço para terapias adjuvantes ou paliativas.
Quais cirurgias podem ser realizadas?
A extensão de uma cirurgia para câncer de fígado varia substancialmente conforme as características anatômicas do tumor e a capacidade de regeneração hepática. Pacientes com fígados saudáveis suportam ressecções maiores, enquanto aqueles que apresentam comprometimento funcional crônico exigem abordagens extremamente conservadoras para evitar a insuficiência hepática pós-operatória.
Dentre as técnicas disponíveis, destacam-se a ressecção hepática, a ablação e a substituição completa do órgão. Adicionalmente, procedimentos como a embolização hepática podem ser utilizados como ponte terapêutica ou para reduzir a carga tumoral antes do ato cirúrgico propriamente dito. Em casos avançados de disfunção hepática crônica, a indicação de um transplante de fígado pode ser a alternativa curativa viável.
Hepatectomia parcial
Essa cirurgia é indicada quando é possível remover apenas a parte do fígado comprometida, preservando tecido saudável suficiente para manter as funções vitais do organismo. O objetivo principal é obter margens cirúrgicas livres de tumor, garantindo que nenhum fragmento microscópico da neoplasia permaneça no local.
Ela é realizada através de incisões parenquimatosas precisas, utilizando dispositivos de corte e coagulação ultrassônica ou bipolar para isolar e ligar os vasos sanguíneos e dutos biliares que irrigam o segmento acometido.
Hepatectomia ampliada
Essa técnica é necessária quando o tumor exige uma ressecção mais extensa para possibilitar a retirada completa da doença, removendo mais de quatro segmentos hepáticos. O procedimento é realizado com a ressecção de grande parte do parênquima e exige rigoroso monitoramento da vasculatura restante.
Em cenários em que o volume hepático restante previsto é insuficiente, técnicas como a embolização hepática da veia porta podem ser realizadas previamente para induzir a hipertrofia do lado saudável antes da cirurgia para câncer de fígado.
Cirurgia robótica
A cirurgia robótica pode ser uma alternativa minimamente invasiva em casos selecionados, especialmente quando os tumores estão localizados em segmentos de acesso favorável e o paciente se beneficia de menores taxas de sangramento. Ela é indicada para procedimentos que demandam alta precisão de movimentos e melhor visualização anatômica.
A cirurgia para câncer de fígado de maneira robótica é realizada por meio de pequenas incisões abdominais, através das quais braços robóticos articulados e câmeras de alta definição em 3D são controlados remotamente pelo cirurgião a partir de uma consola central.
Como é realizado o planejamento cirúrgico?
O planejamento cirúrgico inicia-se no momento em que o médico opta pela intervenção, momento em que são solicitados exames detalhados de imagem, testes de função hepática e avaliações cardiológicas para mapear detalhadamente a anatomia do paciente e estimar a volumetria da área a ser preservada.
Dentre as análises que podem ser realizadas antes da cirurgia para câncer de fígado, podemos destacar:
- Tomografia computadorizada multislice: permite a reconstrução tridimensional do órgão e o delineamento das margens vasculares;
- Ressonância magnética: fundamental para caracterizar lesões pequenas e avaliar a metástase no fígado com alta sensibilidade;
- Escores de função hepática (Child-Pugh e MELD): Exames de sangue que avaliam o grau de reserva funcional, indispensáveis para associar casos de cirrose e cirurgia;
- Volumetria hepática computadorizada: calcula o volume exato do parênquima que permanecerá após a ressecção hepática;
- Avaliação da pressão portal: importante para quantificar a hipertensão portal em pacientes cirróticos.
Como é feita a cirurgia para câncer de fígado?
Técnica e rigorosamente, a cirurgia para câncer de fígado começa com a anestesia geral e a monitorização hemodinâmica invasiva do paciente. O acesso à cavidade abdominal pode ocorrer via laparotomia ampla ou por via laparoscópica.
Após a abertura, o cirurgião realiza uma ultrassonografia intraoperatória detalhada para confirmar a localização exata do tumor, identificar possíveis lesões ocultas não vistas nos exames pré-operatórios e mapear a relação do nódulo com as veias hepáticas e os ramos da veia porta.
Na sequência, realiza-se a mobilização do fígado e a secção dos ligamentos operatórios. O controle vascular é um passo crítico: o cirurgião pode aplicar a manobra de Pringle, um clampeamento temporário do pedículo hepático, para minimizar a perda sanguínea durante o corte do parênquima. A transecção do tecido hepático é executada com bisturi ultrassônico, aspirador CUSA ou grampeadores vasculares, permitindo a identificação, ligadura e divisão individualizada dos pequenos dutos biliares e vasos sanguíneos que cruzam o plano de secção.
Após a remoção completa do tumor com margens de segurança, a superfície de corte do órgão passa por rigorosa revisão de hemostasia e biliestase (ausência de vazamento de bile). Selantes fibrinogênicos ou agulhas de eletrocautério avançado podem ser aplicados na área ressecada. Por fim, drena-se a cavidade abdominal quando necessário e procede-se ao fechamento por planos da parede abdominal.
Como é a recuperação após a cirurgia?
A recuperação após cirurgia para câncer de fígado exige vigilância intensiva, pois o fígado passa por um processo ativo de regeneração e adaptação metabólica. O acompanhamento em unidade de terapia intensiva nas primeiras 24 a 48 horas é padrão para monitorar sinais de insuficiência hepática, sangramentos e desequilíbrios hidroeletrolíticos.
Durante o período pós-operatório, o paciente pode sentir dor local controlada por analgesia, fadiga pronunciada, náuseas transitórias e alterações temporárias na digestão de gorduras. Nos casos onde há coexistência de cirrose e cirurgia, a recuperação do volume funcional pode ser mais lenta, exigindo suporte nutricional e farmacológico focado.
As recomendações médicas incluem:
- Mobilização precoce para prevenir eventos tromboembólicos;
- Exercícios de fisioterapia respiratória;
- Restrição inicial e reintrodução gradual de gorduras na dieta;
- Monitoramento laboratorial diário das provas de função hepática e coagulação;
- Cuidado rigoroso com a ferida operatória para prevenir infecções.
Quais fatores influenciam os resultados do tratamento?
Os resultados do tratamento dependem tanto das características biológicas do câncer quanto das condições de saúde prévias do paciente. A combinação harmoniosa entre um diagnóstico detalhado e uma indicação precisa é o que dita a sobrevida a longo prazo e a qualidade de vida do indivíduo.
Estadiamento e localização do tumor
Tumores diagnosticados precocemente e localizados em regiões favoráveis apresentam melhores possibilidades de tratamento cirúrgico. Lesões periféricas e únicas facilitam a obtenção de margens livres sem a necessidade de remover volumes maciços de parênquima. Por outro lado, tumores centrais ou invasão de grandes vasos reduzem as chances de uma ressecção hepática curativa.
Função Hepática
A quantidade e a qualidade do fígado remanescente são determinantes para uma cirurgia segura. Pacientes sem doença crônica suportam a remoção de até 70-75% do parênquima, enquanto o cenário de cirrose e cirurgia limita essa margem para 30-40%.
Quando a reserva funcional é baixa, a cirurgia para câncer de fígado tradicional torna-se de alto risco, indicando-se o transplante de fígado ou a embolização hepática como alternativas.
Experiência da equipe cirúrgica
A cirurgia hepática é um procedimento de alta complexidade e a experiência da equipe influencia diretamente a segurança e os resultados. Cirurgiões com treinamento especializado em hepatobiliar possuem maior habilidade para lidar com variações anatômicas, utilizar tecnologia avançada e gerenciar intercorrências vasculares intraoperatórias de forma rápida e assertiva.
Qual a chance de cura com a cirurgia para câncer de fígado?
As chances de cura atingem seus patamares mais elevados quando a lesão é detectada em estágios iniciais e ressecada completamente. Clinicamente, a taxa de sobrevida em cinco anos pode ultrapassar 60% a 70% em cenários ideais onde houve remoção total com margens livres ou através do transplante de fígado.
Em casos de doença secundária, como a metástase no fígado proveniente de tumores colorretais, a combinação de quimioterapia e cirurgia ressectiva oferece chances reais de controle prolongado e cura, devendo cada caso ser avaliado de forma estritamente individual por uma equipe multidisciplinar.
Quando procurar um cirurgião especializado em cirurgia hepática?
A cirurgia para câncer de fígado continua sendo a principal possibilidade de tratamento curativo para pacientes selecionados, mas sua indicação depende de uma avaliação individualizada.
Fatores como tipo do tumor, estadiamento, localização das lesões, reserva funcional hepática e experiência da equipe determinam tanto a possibilidade da cirurgia quanto as chances de cura e recuperação. Diante de qualquer nódulo hepático ou diagnóstico suspeito, a consulta especializada deve ocorrer o quanto antes.
Entre em contato e agende uma consulta com o Dr. Wilson Martinuzzo.
Fontes:

