Abaulamento na virilha pode ser o primeiro sinal da condição
A hérnia inguinal é uma das condições cirúrgicas mais comuns no mundo. Ocorre quando parte do conteúdo abdominal, geralmente uma alça intestinal ou tecido gorduroso, se projeta através de um ponto de fraqueza da parede muscular na região da virilha (canal inguinal). Apesar de o abaulamento local ser frequentemente o primeiro sinal percebido pelo paciente, o diagnóstico da hérnia inguinal deve ser confirmado por profissional habilitado — e, em alguns casos, complementado por exames de imagem.
Saiba mais a seguir.
Quando suspeitar de uma hérnia inguinal?
A suspeita de hérnia inguinal surge tipicamente diante de um ou mais dos seguintes sinais e sintomas:
- Abaulamento visível ou palpável na região da virilha, que pode se tornar mais evidente ao tossir, espirrar, realizar esforço físico ou ficar em pé por longos períodos, e que desaparece ou diminui ao deitar;
- Dor ou desconforto na virilha ou no escroto (em homens), que piora com atividade física, tosse ou levantamento de peso;
- Sensação de peso ou pressão na região inguinal, especialmente ao final do dia;
- Em crianças: choro associado a abaulamento na virilha, especialmente durante o esforço.
Quando o abaulamento se torna irredutível — não retorna ao lugar ao deitar ou com pressão suave — e está acompanhado de dor intensa, náuseas e vômitos, pode tratar-se de uma hérnia encarcerada ou estrangulada, situação que exige avaliação médica de urgência.
Diagnóstico da hérnia inguinal: quais são os exames recomendados?
O diagnóstico da hérnia inguinal é predominantemente clínico — ou seja, baseado na anamnese e no exame físico. Na maioria dos casos, essa avaliação é suficiente para confirmar a condição. Os exames de imagem são solicitados em situações específicas, como quadros de apresentação atípica, hérnia não palpável ou necessidade de afastar diagnósticos diferenciais.
Exame físico
É o pilar central do diagnóstico da hérnia inguinal. O médico examina o paciente em pé e em decúbito dorsal, inspecionando e apalpando a região inguinal em repouso (e durante manobras de aumento da pressão abdominal, como a tosse ou o esforço de Valsalva). Essa dinâmica permite identificar o abaulamento herniário, estimar seu volume e verificar se a hérnia é redutível. Em homens, o examinador pode introduzir o dedo indicador pelo anel inguinal externo para sentir o impulso do conteúdo herniário durante a tosse — manobra clássica e de grande valor diagnóstico.
Ultrassonografia (ecografia)
A ultrassonografia da região inguinal é o exame de imagem de primeira escolha quando o diagnóstico da hérnia inguinal não é conclusivo ao exame físico — por exemplo, em hérnias pequenas, em pacientes obesos ou naqueles com sintomas inguinais sem abaulamento visível. O exame avalia a parede abdominal em tempo real, identifica o conteúdo herniário (alça intestinal, epíplon) e observa sua dinâmica durante manobras de esforço. É não invasivo, sem radiação ionizante e amplamente disponível.
Tomografia Computadorizada (TC) ou Ressonância Magnética (RM)
Reservadas para casos selecionados, a tomografia e a ressonância magnética oferecem visão detalhada das estruturas da parede abdominal e do canal inguinal. São indicadas principalmente em hérnias de apresentação atípica, suspeita de hérnia femoral (mais comum em mulheres), hérnias recidivadas após cirurgia anterior, ou quando há necessidade de afastar outras causas de dor inguinal — como adenopatias, pseudoaneurismas ou patologias do quadril. A ressonância é preferida em pacientes jovens e em situações em que se deseja evitar exposição à radiação.
Como se preparar para os exames de diagnóstico?
O exame físico não requer nenhuma preparação especial, bastando comparecer à consulta com roupas confortáveis que facilitem o acesso à região inguinal. Para a ultrassonografia inguinal, também não é necessário preparo específico na maioria dos serviços; em alguns casos, o médico pode solicitar que o exame seja realizado com a bexiga parcialmente repleta para melhor visualização das estruturas pélvicas adjacentes. Tomografia e ressonância seguem os protocolos habituais de cada serviço, que serão informados no momento da solicitação.
O mais importante é que o paciente informe ao médico todos os seus sintomas com detalhes — incluindo quando o abaulamento apareceu, em quais situações piora e se já houve episódios de dor intensa ou irredutibilidade —, pois essas informações orientam a escolha do exame mais adequado para cada caso.
O que pode ser confundido com uma hérnia inguinal nos exames?
Algumas condições podem mimetizar clinicamente ou nos exames de imagem o diagnóstico da hérnia inguinal, exigindo atenção diagnóstica redobrada. Entre os diagnósticos diferenciais mais relevantes, estão: linfonodomegalia inguinal (aumento de linfonodos por infecção ou neoplasia), hidrocele e varicocele em homens, lipoma de cordão espermático, cisto de canal de Nuck em mulheres, hérnia femoral — que segue um trajeto diferente, pelo canal femoral, abaixo do ligamento inguinal —, e tendinite ou lesão muscular da região da virilha (a chamada pubalgia). A experiência do cirurgião e a correlação entre clínica e imagem são determinantes para não confundir essas condições.
O diagnóstico de hérnia no bebê é igual ao do adulto?
Não inteiramente. Em recém-nascidos e lactentes, o diagnóstico da hérnia inguinal é predominantemente clínico, baseado na observação do abaulamento na virilha durante o choro ou esforço. Como os bebês não cooperam ativamente no exame, a anamnese com os pais — relatando quando e em que situações o abaulamento aparece — tem peso ainda maior.
A ultrassonografia pode ser utilizada para confirmar casos duvidosos ou avaliar o conteúdo herniário, mas raramente é necessária quando a história clínica é típica. Em crianças, as hérnias inguinais são quase sempre indiretas — de origem congênita — e o tratamento cirúrgico é indicado na maioria dos casos, dado o maior risco de encarceramento em faixas etárias mais jovens.
O que fazer após o diagnóstico da hérnia inguinal?
Confirmado o diagnóstico da hérnia inguinal, o próximo passo é discutir com o cirurgião a melhor estratégia terapêutica. Em adultos com hérnia assintomática ou minimamente sintomática, uma conduta expectante — com acompanhamento periódico — pode ser considerada em casos selecionados. No entanto, a indicação cirúrgica é a regra para a maioria dos pacientes sintomáticos, dado o risco progressivo de encarceramento e estrangulamento ao longo do tempo.
A técnica minimamente invasiva — hernioplastia laparoscópica — é a abordagem preferida em centros especializados, especialmente para hérnias bilaterais e recidivadas. Oferece menor dor no pós-operatório, recuperação mais rápida e retorno mais precoce às atividades cotidianas em comparação à cirurgia aberta convencional.
Quando procurar um especialista em hérnia inguinal?
Qualquer pessoa que perceba um abaulamento na virilha, dor inguinal persistente ou sintomas sugestivos de hérnia deve buscar avaliação médica sem demora — especialmente se o abaulamento se tornar irredutível ou vier acompanhado de dor intensa, que são sinais de alerta para complicações. Não há vantagem em postergar a consulta: as hérnias não se resolvem espontaneamente em adultos e tendem a aumentar progressivamente com o tempo.
O Dr. Wilson Martinuzzo é cirurgião especializado nas áreas gastrointestinal, proctológica e hepática, com ampla experiência no diagnóstico da hérnia inguinal e em seu tratamento cirúrgico minimamente invasivo. Atende pacientes particulares e via convênio, oferecendo avaliação individualizada e indicação precisa da melhor abordagem para cada caso.
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