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Diagnóstico do câncer de intestino: como é feito
Imagem meramente ilustrativa (Banco de imagens: Shutterstock)
31/07/2026
6 min. de leitura

Diagnóstico precoce transforma prognósticos e potencializa eficiência de tratamento

O câncer colorretal — que inclui tumores do cólon e do reto — é o segundo tipo de câncer mais incidente em homens e o terceiro em mulheres no Brasil, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA). A cada ano, são registrados mais de 45.000 novos casos no país, e a mortalidade associada à doença permanece elevada justamente porque grande parte dos diagnósticos ocorre em estágios avançados, quando as opções terapêuticas são mais limitadas.

A boa notícia é que o diagnóstico do câncer de intestino em estágios iniciais transforma radicalmente o prognóstico: quando detectado precocemente, a taxa de sobrevida em cinco anos supera 90%. É por isso que conhecer os exames disponíveis, os sinais de alerta e o momento ideal para iniciar o rastreamento pode, literalmente, salvar vidas.

Saiba mais a seguir.

Sinais de alerta que indicam a necessidade de investigar doenças no intestino

Muitos casos de câncer colorretal são silenciosos nos estágios iniciais, o que reforça a importância do rastreamento periódico mesmo em pessoas assintomáticas. No entanto, alguns sinais clínicos devem motivar investigação imediata, independentemente da idade ou do histórico familiar:

  • Sangramento retal ou presença de sangue nas fezes (vivo ou escuro);
  • Alteração persistente do hábito intestinal: diarreia, constipação ou alternância entre os dois sem causa aparente;
  • Fezes com calibre reduzido (em fita) por período prolongado;
  • Dor ou desconforto abdominal frequente, cólicas ou sensação de esvaziamento incompleto;
  • Perda de peso involuntária sem causa identificada;
  • Anemia sem explicação, especialmente em homens e mulheres na pós-menopausa;
  • Fadiga persistente associada a sintomas digestivos.

A presença de um ou mais desses sintomas não confirma o diagnóstico, mas indica que a investigação não deve ser postergada. O encaminhamento a um cirurgião do aparelho digestivo deve ser feito com brevidade.

Diagnóstico do câncer de intestino: como é feito?

O diagnóstico do câncer de intestino é estabelecido por meio de um conjunto de exames que avaliam a mucosa intestinal, identificam lesões suspeitas e confirmam ou afastam a presença de células malignas. Os principais métodos utilizados são:

Colonoscopia

É o exame padrão-ouro para o diagnóstico do câncer de intestino. Por meio de um endoscópio flexível introduzido pelo reto, o médico visualiza toda a extensão do intestino grosso, identificando pólipos, lesões suspeitas ou tumores. Quando uma lesão é encontrada, é possível colher fragmentos para biópsia no mesmo ato, confirmando ou afastando a malignidade. A colonoscopia também permite a ressecção de pólipos ainda benignos; intervenção que previne a evolução para o câncer.

Retossigmoidoscopia flexível

Variante da colonoscopia, a retossigmoidoscopia flexível examina apenas o reto e o sigmoide — os segmentos mais frequentemente acometidos pelo câncer colorretal. Por ser menos extensa, requer preparo intestinal mais simples e é realizada sem necessidade de sedação na maioria dos casos. É uma alternativa útil para a triagem inicial, embora não avalie o cólon direito.

DNA das fezes

Também chamado de teste de DNA fecal ou Cologuard, esse exame analisa o material genético presente nas fezes em busca de mutações associadas ao câncer colorretal e de hemoglobina humana. É uma alternativa não invasiva ao diagnóstico do câncer de intestino para pacientes com baixo risco que não aceitam ou não podem realizar a colonoscopia. Tem boa sensibilidade para tumores já estabelecidos, embora resultados positivos devam ser confirmados por colonoscopia.

Pesquisa de sangue oculto nas fezes

O teste de sangue oculto nas fezes (PSOF) detecta quantidades microscópicas de sangue que não são visíveis a olho nu — frequentemente presentes em tumores ou pólipos sangrantes. É um exame simples, de baixo custo e sem necessidade de preparo especial, amplamente utilizado em programas de rastreamento populacionais. Um resultado positivo indica a necessidade de colonoscopia para investigação complementar.

Exames realizados para avaliar a extensão da doença

Uma vez confirmado o diagnóstico do câncer de intestino, é necessário estadiar a doença, ou seja, avaliar o grau de invasão local do tumor e a presença de metástases em linfonodos ou órgãos à distância. Essa etapa é fundamental para definir o plano terapêutico adequado.

Tomografia computadorizada

A tomografia de tórax, abdome e pelve é o exame de estadiamento mais utilizado. Permite identificar linfonodos aumentados, lesões hepáticas, pulmonares ou peritoneais sugestivas de metástase, além de avaliar a relação do tumor com estruturas adjacentes. É essencial para planejar a abordagem cirúrgica e definir a necessidade de tratamentos neoadjuvantes (quimioterapia ou radioterapia antes da cirurgia).

Ressonância magnética

A ressonância magnética é especialmente indicada no estadiamento do câncer de reto, por oferecer detalhamento superior das estruturas pélvicas, incluindo a margem de ressecção cirúrgica (margem circunferencial) e o comprometimento do mesorreto. Esses dados orientam diretamente a decisão sobre radioterapia pré-operatória e o planejamento da cirurgia, com impacto direto nas taxas de recidiva local.

Quando o rastreamento precoce é indicado?

O rastreamento precoce do diagnóstico do câncer de intestino é indicado para toda a população a partir dos 45 a 50 anos, conforme recomendações do INCA e da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP). Para pessoas com fatores de risco elevado — histórico pessoal ou familiar de pólipos ou câncer colorretal, doenças inflamatórias intestinais (Crohn ou retocolite), síndrome de Lynch ou polipose adenomatosa familiar —, o rastreamento deve ser iniciado mais cedo e com intervalos menores, definidos pelo médico assistente.

Sangue nas fezes é sempre sinal de câncer?

Não! O sangramento retal é um sintoma com múltiplas causas: hemorroidas, fissuras anais, doença diverticular e doenças inflamatórias intestinais são as mais comuns e, em geral, benignas. No entanto, nenhum sangramento retal deve ser atribuído à causa benigna sem investigação adequada, especialmente em pacientes acima dos 40 anos ou com fatores de risco. A colonoscopia é o único exame capaz de afastar com segurança o diagnóstico do câncer de intestino como origem do sangramento.

Com que idade começar a fazer os exames de diagnóstico?

Para a população geral sem fatores de risco específicos, a colonoscopia de rastreamento é recomendada a partir dos 45 a 50 anos, com repetição a cada 10 anos se o resultado for normal e não houver pólipos. O teste de sangue oculto nas fezes pode ser realizado anualmente como alternativa de triagem. Para pacientes com risco aumentado, o início pode ser a partir dos 40 anos — ou 10 anos antes da idade em que o familiar mais jovem foi diagnosticado com câncer colorretal.

Se o diagnóstico for confirmado, qual o próximo passo?

A confirmação do diagnóstico do câncer de intestino inicia uma nova etapa: a definição do tratamento. O plano terapêutico é elaborado por equipe multidisciplinar — cirurgião, oncologista clínico e radioterapeuta — com base no estadiamento da doença, na localização do tumor e nas condições clínicas do paciente. A cirurgia é o principal tratamento com intenção curativa e, sempre que possível, realizada por via laparoscópica — abordagem minimamente invasiva que preserva a função intestinal, reduz complicações e acelera a recuperação.

O Dr. Wilson Martinuzzo está habilitado para realizar a avaliação completa, indicar os exames necessários e conduzir o tratamento cirúrgico dos tumores colorretais. Atende por convênio e de forma particular, com acompanhamento individualizado em todas as fases do tratamento.

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Fontes

Sociedade Brasileira de Coloproctologia

Instituto Nacional do Câncer

Dr. Wilson Martinuzzo