Quando tratamentos conservadores não resolvem as hemorroidas, a hemorroidectomia oferece a solução definitiva
As hemorroidas são estruturas vasculares naturais do canal anal, presentes em todos os seres humanos. O problema surge quando elas se dilatam, inflamam e passam a causar sintomas: sangramento, dor, prolapso e desconforto persistente. Na maioria dos casos, as hemorroidas respondem a medidas conservadoras — dieta rica em fibras, hidratação adequada, higiene local e medicamentos tópicos.
Mas quando a doença avança, com prolapso recorrente ou sangramento intenso, a hemorroidectomia é a opção mais promissora. Continue a leitura deste conteúdo para saber mais a respeito.
O que é a hemorroidectomia?
A hemorroidectomia é o procedimento cirúrgico destinado à remoção das hemorroidas sintomáticas — tanto as internas quanto as externas. É indicada principalmente nos casos de grau III e IV (hemorroidas que prolapsam e não se reduzem espontaneamente, ou que se tornam permanentemente prolapsadas), em sangramento intenso e recorrente que não cede ao tratamento clínico ou ambulatorial, e em situações de trombose hemorroidária extensa.
Embora existam procedimentos ambulatoriais menos invasivos — como a ligadura elástica e a escleroterapia —, eles têm indicações específicas e nem sempre são suficientes para casos mais avançados. A hemorroidectomia oferece os melhores índices de resolução definitiva da doença, com taxas de recidiva significativamente menores em comparação às técnicas ambulatoriais.
Quais são as principais técnicas utilizadas?
Não existe uma única forma de realizar a hemorroidectomia. A escolha da técnica depende das características anatômicas das hemorroidas, do grau da doença e da experiência do cirurgião. As três principais abordagens são:
Técnica aberta
Também conhecida como técnica de Milligan-Morgan, é uma das mais tradicionais e amplamente praticadas. Nesta, as hemorroidas são excisadas e os ferimentos cirúrgicos são deixados abertos para cicatrização por segunda intenção — ou seja, sem sutura das bordas da ferida. A técnica aberta é eficaz e apresenta baixo risco de estenose anal, embora o período de cicatrização seja mais prolongado, com maior desconforto nos primeiros dias de recuperação.
Técnica fechada
Na técnica de Ferguson, as hemorroidas são removidas e as feridas cirúrgicas são suturadas completamente ao final do procedimento. A cicatrização fechada tende a ser mais rápida e associada a menos desconforto pós-operatório imediato em comparação à técnica aberta. É a abordagem preferida em muitos centros cirúrgicos brasileiros justamente por esse perfil de recuperação mais confortável para o paciente.
Grampeamento
A técnica de grampeamento — ou hemorroidopexia com grampeador (PPH, do inglês Procedure for Prolapse and Hemorrhoids) — é uma abordagem menos invasiva, indicada principalmente para hemorroidas internas prolapsadas. Em vez de excisão das hemorroidas, o grampeador resseca um anel de mucosa retal acima das hemorroidas, reposicionando o tecido prolapsado e interrompendo o fluxo sanguíneo para os mamilos hemorroidários. O procedimento é realizado dentro do canal anal, sem incisões externas, o que resulta em menos dor pós-operatória e recuperação mais rápida.
Como é o pós-operatório da hemorroidectomia?
O pós-operatório da hemorroidectomia exige atenção e cuidados específicos para garantir boa cicatrização e conforto ao paciente. A dor anal é o sintoma mais comum nos primeiros dias — intensidade variável conforme a técnica utilizada e a extensão da cirurgia — e é manejada com analgésicos prescritos pelo cirurgião. Banhos de assento mornos, duas a três vezes ao dia, aliviam o desconforto local e favorecem a higiene da área operada.
A alimentação deve ser rica em fibras desde os primeiros dias, com hidratação abundante, para garantir fezes macias e evitar o esforço evacuatório — que é a principal causa de dor e complicações no período inicial. O uso de laxativos ou amolecedores de fezes pode ser indicado pelo médico nas primeiras semanas.
Qual é o tempo de recuperação da cirurgia de hemorroida?
O tempo de recuperação varia conforme a técnica empregada. Nas técnicas abertas e fechadas, a cicatrização completa pode levar de três a seis semanas, com retorno gradual às atividades cotidianas entre sete e quatorze dias, dependendo da intensidade do trabalho. Na técnica de grampeamento, a recuperação costuma ser mais rápida — muitos pacientes retornam às atividades em menos de uma semana. Em todos os casos, atividades físicas intensas e esforços abdominais devem ser evitados por pelo menos três a quatro semanas.
Quais são os benefícios e riscos da cirurgia?
A hemorroidectomia apresenta uma das maiores taxas de resolução definitiva entre os tratamentos disponíveis para hemorroidas avançadas. Seus principais benefícios incluem:
- Eliminação definitiva das hemorroidas sintomáticas, com baixa taxa de recidiva;
- Resolução do prolapso e do sangramento recorrente;
- Melhora significativa e duradoura da qualidade de vida;
- Procedimento realizado sob anestesia, com controle total da dor intraoperatória.
Entre os riscos possíveis — presentes em qualquer procedimento cirúrgico — estão: dor pós-operatória (manejável com medicação adequada), sangramento, infecção, retenção urinária transitória e, raramente, estenose anal. A escolha do cirurgião experiente e o seguimento rigoroso das orientações pós-operatórias são os fatores que mais contribuem para minimizar essas complicações.
A hemorroida pode voltar depois da cirurgia?
A hemorroidectomia é o tratamento com menor taxa de recidiva entre todas as opções disponíveis para hemorroidas avançadas. No entanto, como as hemorroidas são estruturas vasculares naturais do canal anal, novos episódios podem surgir ao longo dos anos — especialmente se os fatores de risco não forem controlados: dieta pobre em fibras, sedentarismo, esforço evacuatório crônico, gravidez e envelhecimento.
Por isso, a cirurgia deve ser acompanhada de mudanças de hábitos duradouras. Com alimentação adequada, hidratação, atividade física regular e acompanhamento médico periódico, a grande maioria dos pacientes operados mantém-se livre dos sintomas por muitos anos. O Dr. Wilson Martinuzzo atende pacientes particulares e via convênio, oferecendo avaliação individualizada para determinar a melhor abordagem — cirúrgica ou não — para cada caso.
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Fontes

