O que esperar após a cirurgia é tão importante quanto a decisão de realizá-la
A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) afeta cerca de 20% da população adulta brasileira, segundo dados da Federação Brasileira de Gastroenterologia. Para a maioria dos pacientes, o controle é feito com medicamentos e mudanças de hábitos. Mas quando o tratamento clínico se mostra insuficiente, ou quando o paciente não deseja depender de medicação por toda a vida, a cirurgia anti-refluxo se torna uma opção concreta e definitiva.
Tão importante quanto a decisão cirúrgica é compreender o que vem depois. O pós-operatório da cirurgia de refluxo gastroesofágico tem particularidades que precisam ser conhecidas para garantir uma recuperação tranquila e resultados duradouros.
Saiba mais a seguir.
Quando a cirurgia de refluxo gastroesofágico é indicada?
A cirurgia é indicada para pacientes com DRGE confirmada por exames — como pHmetria de 24 horas e endoscopia digestiva alta — que não respondem adequadamente ao tratamento clínico após período de tentativa adequado, que apresentam complicações da doença (como esofagite grave, esôfago de Barrett ou estenose esofágica) ou que preferem uma solução definitiva à medicação contínua. A hérnia de hiato sintomática associada ao refluxo também é uma indicação frequente para a intervenção cirúrgica.
Como funciona a cirurgia de refluxo gastroesofágico?
O procedimento padrão é a fundoplicatura de Nissen laparoscópica — abordagem minimamente invasiva que restaura a barreira antirrefluxo sem necessidade de grandes incisões. Por meio de cinco pequenas perfurações abdominais, o cirurgião geral envolve a porção superior do estômago (fundo gástrico) ao redor da parte distal do esôfago, reforçando o esfíncter esofágico inferior e impedindo o retorno do conteúdo gástrico.
Quando há hérnia de hiato associada, esta é corrigida no mesmo tempo cirúrgico. O procedimento laparoscópico oferece menos dor, internação mais curta e recuperação significativamente mais rápida em comparação à cirurgia aberta convencional.
Como é o pós-operatório da cirurgia de refluxo gastroesofágico?
O pós-operatório da cirurgia de refluxo gastroesofágico costuma ser bem tolerado quando a técnica laparoscópica é empregada. A alta hospitalar ocorre geralmente após um ou dois dias após o procedimento, e o paciente retorna para casa com orientações detalhadas sobre alimentação, atividades e medicamentos.
A seguir, os principais aspectos dessa fase de recuperação:
Cuidados no pós-operatório imediato
Nas primeiras 24 a 48 horas, o paciente permanece em observação hospitalar. São monitorados sinais vitais, dor e tolerância à dieta líquida. Analgesia adequada é prescrita para controle do desconforto, que tende a ser leve a moderado com a abordagem laparoscópica. A deambulação precoce — caminhar ainda no hospital — é encorajada, pois reduz o risco de trombose venosa e favorece a recuperação do trânsito intestinal.
Principais restrições no pós-operatório
Durante as primeiras semanas do pós-operatório cirurgia de refluxo gastroesofágico, algumas restrições são fundamentais para proteger a cirurgia recém-realizada:
- Evitar esforços físicos intensos e levantamento de peso por pelo menos quatro semanas;
- Não realizar movimentos que aumentem a pressão intra-abdominal, como agachar bruscamente ou tossir sem suporte abdominal;
- Abstinência de álcool e tabaco, que prejudicam a cicatrização e aumentam a irritação esofágica;
- Evitar alimentos que causam distensão gástrica — como bebidas carbonatadas e leguminosas — nas primeiras semanas, para reduzir a pressão sobre a fundoplicatura.
Como fica a alimentação após a cirurgia de refluxo gastroesofágico?
A dieta é o aspecto mais relevante do pós-operatório da cirurgia de refluxo gastroesofágico e segue uma progressão gradual e bem estruturada. Nos primeiros dois a três dias, a alimentação é líquida clara — água, caldos coados e sucos sem polpa. Na sequência, avança-se para dieta líquida completa e, ao longo das semanas seguintes, para dieta pastosa e, finalmente, alimentos sólidos de consistência normal. Essa progressão é individualizada e orientada pelo cirurgião assistente.
Nas primeiras semanas, é comum o paciente sentir disfagia (dificuldade para engolir) leve a moderada — sensação de que os alimentos ‘prendem’ ao passar pelo esôfago. Esse sintoma é esperado e decorre do edema local, desaparecendo gradualmente à medida que a fundoplicatura se acomoda. Refeições menores e mais frequentes, mastigação cuidadosa e ingestão lenta de líquidos ajudam a minimizar o desconforto nessa fase.
Quanto tempo leva para se recuperar completamente?
A maioria dos pacientes retorna às atividades cotidianas leves — como trabalho de escritório — entre sete e quatorze dias após a cirurgia laparoscópica. A alimentação sólida normal é retomada progressivamente entre a quarta e a sexta semana. A recuperação funcional completa, com desaparecimento da disfagia transitória e adaptação plena à dieta habitual, ocorre em geral entre seis e doze semanas após o procedimento.
Sinais de alerta no pós-operatório da cirurgia de refluxo gastroesofágico
O pós-operatório da cirurgia de refluxo gastroesofágico transcorre sem intercorrências na grande maioria dos casos. No entanto, alguns sinais devem ser comunicados imediatamente ao cirurgião:
- Febre persistente acima de 38 °C;
- Dor abdominal intensa e progressiva, que não cede com analgésicos prescritos;
- Disfagia grave — impossibilidade de engolir líquidos;
- Vômitos frequentes ou persistentes;
- Sinais de infecção nas incisões: vermelhidão, calor, secreção ou abertura da ferida.
Qual médico acompanha a recuperação?
O acompanhamento do pós-operatório da cirurgia de refluxo gastroesofágico é conduzido pelo próprio cirurgião responsável pelo procedimento, com consultas de retorno programadas para monitorar a evolução clínica, ajustar a dieta e identificar precocemente qualquer intercorrência. Em alguns casos, o gastroenterologista participa do acompanhamento conjunto, especialmente quando há necessidade de reavaliação endoscópica.
O Dr. Wilson Martinuzzo realiza a fundoplicatura laparoscópica e acompanha seus pacientes em todas as fases — do pré-operatório à recuperação completa.
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Fontes

