Intervenção cirúrgica é indicada quando a doença afeta o intestino de forma significativa, causa sintomas intensos ou compromete o funcionamento do órgão
A endometriose intestinal é uma alteração em que um tecido semelhante ao endométrio cresce na parede do intestino, geralmente no reto e no sigmoide. Essa condição pode provocar dor intensa, alterações intestinais e impacto significativo na qualidade de vida. O diagnóstico e o manejo adequado da condição são fundamentais, especialmente quando há comprometimento funcional ou risco de complicações.
Quando os sintomas da endometriose intestinal são graves ou não respondem ao tratamento clínico, a cirurgia passa a ser uma opção para remover os focos de doença e restaurar a função intestinal. O tratamento cirúrgico da endometriose intestinal deve ser conduzido por equipe especializada, devido à complexidade anatômica e ao risco de acometimento de outras estruturas pélvicas.
O que é e o que causa a endometriose intestinal?
A endometriose intestinal é uma manifestação profunda da endometriose, na qual o tecido endometrial se infiltra na camada muscular do intestino. Esse processo pode gerar dor, constipação, diarreia, sangramento intestinal durante o período menstrual e dificuldade para evacuar. Em casos mais avançados, pode ocorrer estreitamento do intestino, com risco de obstrução.
As causas da endometriose intestinal ainda não são totalmente esclarecidas, mas acredita-se que envolve o refluxo menstrual, fatores imunológicos e predisposição genética. Em mulheres com endometriose profunda, a probabilidade de acometimento intestinal é maior, especialmente quando há nódulos extensos na região pélvica.
Como o diagnóstico é realizado?
O diagnóstico da endometriose intestinal começa com avaliação clínica detalhada, considerando sintomas típicos e histórico de endometriose. O exame físico pode sugerir sinais de doença profunda, principalmente quando há dor localizada em toque retal ou vaginal.
Os exames de imagem são essenciais para confirmar o acometimento intestinal. A ressonância magnética e o ultrassom transvaginal com preparo intestinal são os métodos mais utilizados, permitindo identificar profundidade da infiltração, extensão da lesão e possíveis áreas de estenose. Em casos selecionados, a colonoscopia pode ser indicada para avaliar estreitamentos do lúmen intestinal.
Tratamento cirúrgico da endometriose intestinal: quando operar?
A cirurgia é indicada quando a doença compromete o funcionamento do intestino, causa sintomas graves ou não responde ao tratamento clínico. Situações como dor intensa, obstrução parcial, alterações importantes do hábito intestinal e sangramento recorrente são sinais de alerta que justificam intervenção.
Além disso, quando há envolvimento profundo e risco de progressão, o tratamento cirúrgico da endometriose intestinal pode ser necessário para preservar a função intestinal. O objetivo da intervenção é remover a doença de forma segura, aliviar os sintomas e evitar complicações futuras.
A cirurgia de endometriose intestinal é sempre de emergência?
Não. O tratamento cirúrgico da endometriose intestinal é, na maioria das vezes, eletivo e planejado, permitindo preparo adequado e avaliação completa das estruturas comprometidas. Emergências são raras e geralmente relacionadas a obstruções graves, que exigem avaliação imediata.
Quando realizada de forma programada, a cirurgia possibilita abordagem mais precisa, reduz riscos e garante melhores resultados para preservação da função intestinal.
Quais os tipos de tratamento cirúrgico da endometriose intestinal?
Existem diferentes técnicas cirúrgicas, definidas de acordo com a profundidade e extensão da doença. A escolha depende da avaliação completa da paciente e do grau de comprometimento do intestino.
Os principais tipos de tratamento cirúrgico da endometriose intestinal são:
Shaving (resseção superficial)
Esse método consiste na remoção das camadas superficiais infiltradas pela endometriose, sem necessidade de retirar segmentos do intestino. Trata-se de um tratamento cirúrgico da endometriose intestinal que é indicado quando a doença acomete apenas a camada externa e não há estenose significativa.
Resseção em disco
Utilizada quando a lesão é mais profunda e atinge parcialmente a parede intestinal, mas sem extensão circunferencial. Esta intervenção consiste na retirada de um disco de tecido comprometido, preservando boa parte da estrutura do intestino.
Ressecção segmentar
Indicada nos casos de doença extensa, múltiplos pontos de acometimento ou estenose do lúmen. Nesse procedimento, remove-se o segmento do intestino afetado, com reconstrução imediata. A abordagem é geralmente realizada por videolaparoscopia ou robótica, conforme os protocolos da equipe cirúrgica.
Todas os tipos de tratamento cirúrgico da endometriose intestinal priorizam abordagens minimamente invasivas, como a laparoscopia e a cirurgia robótica, que oferecem maior precisão e melhor recuperação no pós-operatório. Cirurgias abertas não são recomendadas como primeira escolha e só são mencionadas quando não há alternativa segura.
Pós-operatório e recuperação da cirurgia de endometriose intestinal
O pós-operatório do tratamento cirúrgico da endometriose intestinal varia conforme a técnica utilizada e a extensão da doença. Em geral, a recuperação inicial envolve controle da dor, retorno gradual da dieta e acompanhamento da função intestinal. A mobilização precoce e os cuidados respiratórios auxiliam na prevenção de complicações.
Nas semanas seguintes, a paciente deve seguir orientações específicas sobre alimentação, higiene, atividade física e acompanhamento médico. O retorno completo às atividades pode levar algumas semanas, especialmente após procedimentos mais complexos. A recuperação é mais rápida quando a cirurgia é realizada por técnicas minimamente invasivas.
É possível ter endometriose intestinal novamente após a cirurgia?
Sim. Embora a cirurgia trate o foco intestinal da doença, a endometriose é uma condição crônica e pode apresentar recorrência. O risco depende de diversos fatores, como idade da paciente, profundidade das lesões e presença de endometriose em outras regiões da pelve.
Por isso, o acompanhamento contínuo é fundamental mesmo após um tratamento cirúrgico da endometriose intestinal bem-sucedido. Em alguns casos, o uso complementar de tratamento clínico pode ajudar a reduzir sintomas e prevenir recidivas.
Qual profissional realiza o tratamento cirúrgico da endometriose intestinal?
Este tipo de tratamento cirúrgico deve ser conduzido por um cirurgião com experiência em endometriose profunda e procedimentos do trato intestinal. Em muitos casos, forma-se uma equipe multidisciplinar com cirurgião do aparelho digestivo e ginecologista especializado em endometriose.
O Dr. Wilson Martinuzzo é médico cirurgião geral, pioneiro na realização de cirurgia robótica no Brasil. O profissional acumula mais de 30 anos de experiência e mais de 14 mil intervenções cirúrgicas realizadas. Entre em contato e agende uma consulta com o Dr. Wilson Martinuzzo.
Fontes:

