Comum a partir dos 50 anos e frequentemente silenciosa, doença pode evoluir para complicações graves quando não diagnosticada e tratada a tempo
A doença diverticular do cólon é uma das condições gastrointestinais mais prevalentes no mundo ocidental, com incidência que aumenta progressivamente com a idade. Segundo a Sociedade Brasileira de Coloproctologia, ela está presente em aproximadamente 50% das pessoas com mais de 60 anos e pode chegar a 70% naquelas com mais de 80 anos.
Na maioria dos casos, a condição é silenciosa durante anos. Mas quando os divertículos inflamam ou complicam, o quadro pode ser grave o suficiente para exigir hospitalização ou cirurgia. Entender a doença, seus fatores de risco e suas opções de tratamento é o passo mais importante para manejá-la adequadamente.
O que é a doença diverticular do cólon?
A doença diverticular do cólon é caracterizada pela formação de divertículos, pequenas bolsas ou saliências que se formam na parede do intestino grosso quando a mucosa e a submucosa herneiam através de pontos de fraqueza da camada muscular. Esses pontos correspondem, geralmente, às áreas por onde os vasos sanguíneos penetram na parede intestinal. Os divertículos se formam com mais frequência no cólon sigmoide, segmento que suporta maior pressão intraluminal, embora possam aparecer em qualquer segmento do intestino grosso.
Qual a diferença entre diverticulose e diverticulite?
A diverticulose é o termo que descreve a simples presença de divertículos no cólon, sem inflamação associada. A maioria dos pacientes com diverticulose é assintomática ou apresenta apenas desconforto abdominal leve e alterações do hábito intestinal. Já a diverticulite ocorre quando um ou mais divertículos se inflamam ou infeccionam, gerando um quadro clínico mais evidente, com dor abdominal localizada, febre e alterações laboratoriais. A distinção entre as duas condições é fundamental para orientar o tratamento adequado dentro do espectro da doença diverticular do cólon.
Causas e fatores de risco da doença diverticular
A doença diverticular do cólon tem origem multifatorial, com contribuição de fatores modificáveis e não modificáveis. Os principais fatores de risco incluem:
- Dieta pobre em fibras: a baixa ingestão de fibras reduz o volume fecal e aumenta a pressão intraluminal, favorecendo a formação de divertículos;
- Sedentarismo: a inatividade física está associada a maior prevalência da doença;
- Idade avançada: o enfraquecimento progressivo da parede intestinal com o envelhecimento é o principal fator não modificável;
- Obesidade: o excesso de peso aumenta a pressão intra-abdominal e está relacionado a maior risco de diverticulite;
- Tabagismo e consumo excessivo de álcool: ambos comprometem a integridade da parede intestinal;
- Uso crônico de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs): associado a maior risco de complicações hemorrágicas.
Fatores genéticos também contribuem: estudos indicam que pessoas com histórico familiar de doença diverticular têm maior predisposição ao seu desenvolvimento.
O que a doença diverticular do cólon pode causar?
Quando a doença diverticular do cólon deixa de ser assintomática, as complicações mais frequentes são a diverticulite aguda e o sangramento diverticular. A diverticulite pode evoluir para abscesso, perfuração intestinal, peritonite ou formação de fístulas entre o intestino e órgãos adjacentes, como a bexiga ou a vagina. Cada uma dessas complicações tem graus distintos de gravidade e pode exigir desde antibioticoterapia até cirurgia de urgência.
O sangramento diverticular é uma das causas mais comuns de hemorragia digestiva baixa no adulto. Em geral, é autolimitado, mas pode ser volumoso o suficiente para exigir intervenção endoscópica ou cirúrgica. A estenose do segmento colônico afetado, resultante de episódios repetidos de inflamação e cicatrização, é outra complicação possível, podendo evoluir para obstrução intestinal.
Sintomas comuns da doença diverticular
Os sintomas da doença diverticular do cólon variam conforme a fase em que o paciente se encontra. Na diverticulose assintomática, não há manifestações clínicas. Quando surgem sintomas não complicados, os mais frequentes são desconforto ou dor abdominal, principalmente no quadrante inferior esquerdo, distensão abdominal, alterações do hábito intestinal com alternância entre diarreia e constipação, e flatulência.
No episódio de diverticulite aguda, o quadro é mais definido: dor abdominal intensa e localizada no flanco ou fossa ilíaca esquerda, febre, náuseas, vômitos e, eventualmente, alterações no exame físico com defesa abdominal. Quando há sangramento, o paciente apresenta eliminação de sangue vivo pelo reto, em quantidade variável. Qualquer dessas apresentações mais agudas exige avaliação médica sem demora.
Como o diagnóstico da diverticular do cólon é realizado?
O diagnóstico da doença diverticular do cólon pode ser estabelecido por diferentes métodos, dependendo da apresentação clínica. A colonoscopia é o exame de referência para identificar divertículos, avaliar sua distribuição e afastar outras condições como o câncer colorretal, com a ressalva de que não deve ser realizada durante um episódio de diverticulite aguda pelo risco de perfuração.
Na fase aguda de diverticulite, a tomografia computadorizada de abdome e pelve é o exame de escolha: permite confirmar o diagnóstico, classificar a gravidade do quadro segundo a escala de Hinchey e identificar complicações como abscessos e perfurações. O enema opaco é uma alternativa quando a tomografia não está disponível. Exames laboratoriais, como leucograma e proteína C reativa, complementam a avaliação clínica e auxiliam no monitoramento da resposta ao tratamento.
Qual o tratamento da doença diverticular do cólon?
O tratamento da doença diverticular do cólon é individualizado e depende da fase clínica, da presença de complicações e das condições gerais do paciente. O espectro terapêutico vai das medidas conservadoras à cirurgia.
Tratamentos conservadores
Na diverticulose assintomática, as medidas conservadoras são o pilar do manejo: dieta rica em fibras, hidratação adequada, atividade física regular e controle dos fatores de risco modificáveis. Na diverticulite aguda leve, sem complicações, o tratamento ambulatorial com antibióticos orais, dieta líquida e analgesia costuma ser suficiente para a resolução do quadro. Pacientes com diverticulite moderada, febre persistente ou incapacidade de manter a hidratação oral podem necessitar de internação para antibioticoterapia endovenosa e vigilância clínica.
Tratamentos cirúrgicos
A cirurgia é indicada em situações específicas: diverticulite complicada com perfuração livre e peritonite generalizada, abscessos volumosos que não respondem à drenagem percutânea guiada por imagem, fístulas, estenose obstrutiva, sangramento refratário e falha do tratamento clínico em episódios recorrentes.
O procedimento de escolha é a ressecção do segmento colônico comprometido, preferencialmente a sigmoidectomia laparoscópica, abordagem minimamente invasiva que oferece menor morbidade, recuperação mais rápida e resultados cirúrgicos equivalentes à via aberta. Nos casos de emergência com instabilidade hemodinâmica ou contaminação peritoneal extensa, a cirurgia aberta pode ser necessária.
Como prevenir a doença diverticular do cólon?
A prevenção da doença diverticular do cólon passa pela adoção de hábitos que reduzam a pressão intraluminal e preservem a integridade da parede intestinal. O aumento da ingestão de fibras, por meio de frutas, vegetais, leguminosas e cereais integrais, é a medida com maior evidência de benefício, pois reduz a pressão intra-abdominal e melhora o trânsito intestinal. A hidratação adequada potencializa o efeito das fibras sobre as fezes.
Manter peso corporal saudável, praticar atividade física regular, evitar o tabagismo e o uso indiscriminado de anti-inflamatórios são medidas complementares com impacto documentado. Para pacientes que já têm diverticulose, o acompanhamento médico periódico é importante para monitorar a evolução e adaptar as orientações conforme a necessidade.
Como deve ser a alimentação do paciente com doença diverticular?
A alimentação tem papel central tanto na prevenção quanto no manejo da doença diverticular do cólon. Fora das fases agudas, a dieta deve ser rica em fibras, com ingestão diária de pelo menos 25 a 30 gramas, conforme recomendação da Sociedade Brasileira de Coloproctologia. Frutas com casca, verduras, feijão, lentilha, aveia e pão integral são fontes alimentares importantes.
Durante e logo após um episódio de diverticulite, a dieta deve ser restrita a líquidos claros para reduzir a carga fecal sobre o segmento inflamado. A reintrodução dos alimentos é gradual e orientada pelo médico conforme a melhora clínica. O mito de que sementes, oleaginosas e grãos devem ser evitados permanentemente por pacientes com diverticulose não é sustentado pelas evidências científicas atuais: a restrição só é indicada em contextos específicos, a critério médico.
Qual médico trata e diagnostica a doença diverticular do cólon?
O diagnóstico e o tratamento da doença diverticular do cólon são conduzidos pelo cirurgião do aparelho digestivo ou pelo coloproctologista, especialistas habilitados tanto para o manejo clínico quanto para as intervenções cirúrgicas quando necessárias. O gastroenterologista também participa do acompanhamento, especialmente na avaliação endoscópica e no manejo das formas não complicadas.
O Dr. Wilson Martinuzzo é cirurgião especializado nas áreas gastrointestinal, proctológica e hepática, com experiência no diagnóstico e no tratamento da doença diverticular em todas as suas fases, incluindo os casos que requerem abordagem cirúrgica minimamente invasiva. Atende pacientes particulares e via convênio, com avaliação individualizada e acompanhamento longitudinal de cada caso.
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Fontes
Sociedade Brasileira de Coloproctologia;
Colégio Brasileiro de Cirurgiões;
Federação Brasileira de Gastroenterologia.

