Quando não tratada, a condição pode evoluir para refluxo crônico, lesões no esôfago e, em casos raros, quadros graves que exigem cirurgia de urgência
A hérnia de hiato é uma condição comum, muitas vezes descoberta por acaso em exames de rotina, e boa parte dos casos não causa sintoma algum. O problema surge quando ela é ignorada por anos, mesmo diante de sinais como azia frequente ou regurgitação: as complicações da hérnia de hiato tendem a se instalar de forma silenciosa, e o paciente só percebe a gravidade quando o quadro já está avançado.
Conhecer os riscos de deixar a doença sem acompanhamento, os sinais de alerta e as opções de tratamento é um passo crucial para que o paciente possa agir a tempo. A seguir, os principais pontos sobre o tema.
O que acontece quando a hérnia de hiato não é tratada?
Sem acompanhamento médico, a hérnia de hiato tende a evoluir de forma progressiva. O conteúdo do estômago passa a refluir para o esôfago com mais frequência e intensidade, o que agride a mucosa esofágica de maneira repetida. Com o tempo, essa agressão constante abre caminho para lesões mais sérias, e as complicações da hérnia de hiato deixam de ser um risco distante para se tornar uma realidade concreta.
Em hérnias maiores, sobretudo do tipo paraesofágica, em que parte do estômago desliza para dentro do tórax, o risco deixa de ser apenas digestivo. Esses casos podem evoluir para quadros de urgência, como o estrangulamento do órgão herniado, que exige intervenção cirúrgica imediata.
Quais as possíveis complicações da hérnia de hiato?
As complicações da hérnia de hiato variam bastante em gravidade, de alterações leves na mucosa do esôfago a quadros que colocam a vida do paciente em risco. Conheça as principais.
Refluxo crônico (DRGE)
A doença do refluxo gastroesofágico costuma ser a primeira consequência da hérnia de hiato não tratada. O enfraquecimento do esfíncter esofágico inferior facilita a subida do ácido gástrico para o esôfago, gerando azia, queimação e regurgitação de forma recorrente.
Esofagite
O contato repetido do esôfago com o ácido do estômago provoca inflamação na mucosa, a esofagite, que pode se manifestar como erosões superficiais ou, em casos mais avançados, feridas mais profundas, com dor para engolir.
Úlceras de Cameron
São lesões que se formam no ponto em que o estômago é comprimido pelo diafragma, dentro da hérnia. Costumam causar sangramento lento e contínuo, o que pode levar à anemia por deficiência de ferro, muitas vezes identificada antes mesmo do diagnóstico da hérnia.
Esôfago de Barrett
Quando o refluxo é prolongado e mal controlado, as células que revestem o esôfago podem se transformar, dando origem ao esôfago de Barrett. Trata-se de uma lesão pré-maligna que exige acompanhamento próximo, já que aumenta o risco de câncer de esôfago no longo prazo.
Estrangulamento do estômago
É a mais grave entre as complicações da hérnia de hiato. Ocorre quando parte do estômago fica presa dentro do tórax e perde o suprimento de sangue, o que causa dor intensa e súbita e configura uma emergência cirúrgica.
Obstruções gastrointestinais
Hérnias volumosas podem comprimir o próprio estômago ou estruturas vizinhas, dificultando a passagem de alimentos. O paciente costuma relatar sensação de empanzinamento, náuseas e vômitos após as refeições.
Problemas respiratórios
A aspiração de pequenas quantidades de conteúdo gástrico refluído para as vias aéreas, principalmente durante o sono, pode causar tosse crônica, rouquidão e, em alguns casos, quadros repetidos de bronquite ou pneumonia.
Sintomas da hérnia de hiato e impactos na qualidade de vida
Boa parte dos casos de hérnia de hiato não causa sintomas, especialmente quando o defeito no diafragma é pequeno. Quando presentes, os sinais mais comuns incluem azia, regurgitação ácida, dor no peito, sensação de engasgo e desconforto após as refeições.
Mesmo sem risco imediato à vida, esses sintomas, quando frequentes, prejudicam o sono, a alimentação e a rotina do paciente. A perda de qualidade de vida costuma ser o principal motivo que leva à busca por avaliação médica, antes mesmo de o paciente considerar a possibilidade de complicações mais sérias.
A hérnia de hiato pode virar câncer?
Não existe uma relação direta entre a hérnia de hiato e o câncer de esôfago. O elo entre as duas condições passa pelo refluxo crônico: quando mal controlado por anos, ele pode levar ao esôfago de Barrett, uma alteração pré-maligna que, em uma pequena parcela dos casos, evolui para adenocarcinoma de esôfago.
Por isso, o acompanhamento regular, com endoscopias periódicas quando indicado, é a forma mais eficaz de identificar alterações precoces e evitar que o quadro avance.
A hérnia de hiato pode causar falta de ar ou palpitações?
Sim, embora não seja o quadro mais comum. Hérnias grandes podem ocupar espaço na cavidade torácica e pressionar o pulmão ou o coração, gerando sensação de falta de ar, principalmente após as refeições ou ao se deitar. As palpitações, por sua vez, costumam estar relacionadas à irritação do nervo vago pela distensão do estômago dentro do tórax.
Esses sintomas merecem avaliação médica, já que podem ser confundidos com problemas cardíacos e atrasar o diagnóstico correto.
Como evitar complicações da hérnia de hiato?
Algumas mudanças de hábito ajudam a reduzir o refluxo e, consequentemente, o risco de complicações da hérnia de hiato:
- Evitar refeições volumosas e deitar-se logo em seguida;
- Reduzir o consumo de alimentos gordurosos, café e álcool;
- Elevar a cabeceira da cama para dormir;
- Manter o peso corporal adequado;
- Não fumar;
- Usar a medicação prescrita de forma contínua, sem interrupções por conta própria.
Essas medidas reduzem a frequência dos sintomas, mas não eliminam a hérnia em si, que pode exigir tratamento específico conforme o tamanho e o impacto na saúde do paciente.
Quando o tratamento cirúrgico da hérnia de hiato é indicado?
A cirurgia costuma ser indicada quando os sintomas não respondem à medicação, quando já existem complicações da hérnia de hiato instaladas, como esofagite grave ou esôfago de Barrett, ou em hérnias grandes, do tipo paraesofágica, pelo risco de estrangulamento.
O procedimento é, na maioria dos casos, realizado por videolaparoscopia, técnica minimamente invasiva que reposiciona o estômago e reconstrói a barreira contra o refluxo, com recuperação mais rápida e menor dor no pós-operatório em relação à cirurgia aberta.
Qual médico realiza o tratamento da hérnia de hiato?
O tratamento, clínico ou cirúrgico, deve ser conduzido por cirurgião com experiência em procedimentos do aparelho digestivo. O cirurgião especializado nas áreas gastrointestinal, proctológica e hepática é o profissional habilitado para investigar os sintomas, indicar o tratamento adequado e acompanhar o paciente antes e depois da cirurgia, quando ela for necessária.
Dr. Wilson Martinuzzo atende pacientes particulares e por convênio para diagnóstico e tratamento da hérnia de hiato. Agende sua consulta e evite as complicações da hérnia de hiato.
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Fontes
Sociedade Brasileira de Cirurgia Digestiva;
Colégio Brasileiro de Cirurgiões.

